contato

contato

a mente doente
tem traços e partes
de imagens
incompletas
– dizem
e a gestalt pode
ajudar
porém
todos buscamos
a cura rápida
os comprimidos
os laudos
para que sejam
validados
os momentos piores
mais eremíticos

porque todos
estamos
jogados
ao nosso pessoal
veredicto

sentamos em poltronas
cara a cara com o incógnito
e abrimos portas que
libertam
carcaças
serpentes
formigas
da boca

somos ouvidos
e punhos suados
trocamos os olhos
pela voz embargada

não você
não queria
você não
estaria ali
se não fosse
esse buraco
bem no meio
chamativo

não se preenche
morte com
vida
e talvez não
exista conteúdo
para a mente
evacuada

mas tente sentar
responder sobre pais
divórcios sobre aquele
tio que tocou
ali onde se partiram
as louças

tente juntar as imagens
infantilmente

foi aqui
aponte onde
– nessa boneca loira
aqui aqui

segura nas cordas
vocais a vontade
de correr
a tentação carnal
de abandonar-se

somos ouvidos
com os punhos suados
mas nossos punhos
escrevem a verdade
do mundo
a beleza civilizatória

há ainda um pouco
que segura o peso
você pode dormir
e jogar
com os pesadelos

mas levante-se
deixe os olhos pousarem
as pernas vão chacoalhar
mas um dia
cara a cara
com um ser familiar
os tendões terão descanso

tudo será outra coisa
nada novo
mas outra estrutura

uma casa com aldavras
vedada aos tios
limpa de estilhaços
um chão onde esticar
a coluna — chorar

e isso será mais
do que fora

e isso será o mais
próximo
da cura

– Poema do meu novo livro “Um buraco com meu nome

Livro disponível para compra aqui: www.loja.jaridarraes.com